Se Ela fosse um poema,
não seria daqueles que se
entendem na primeira leitura.
Seria verso de entrelinhas,
silêncio que diz mais do que palavras,
vento que passa devagar
e deixa o perfume mesmo depois de partir.
Seria um riso que desafia a tristeza,
uma teimosia vestida de doçura,
o olhar de quem sente muito,
mas nem sempre permite que descubram.
Seria o sol dos dias tranquilos
e a chuva inesperada
das tardes de inverno.
Não porque muda o tempo,
mas porque carrega nuvens
que quase ninguém vê.
Seria dessas pessoas
que fazem morada na lembrança.
Mesmo ausente,
continuam habitando os detalhes:
uma música, uma fotografia,
um cheiro, um lugar qualquer.
Se Ela fosse um poema,
não terminaria com um ponto final.
Terminaria com reticências...
Porque algumas pessoas
não acabam.
Apenas continuam existindo
dentro da gente, de um jeito
que nem o tempo consegue explicar.
- Figueira.
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