sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Nada sobre nós


Tirei você da minha agenda 
Todo tempo que tinha reservado
Apaguei nossas fotos
Lá em casa joguei tudo fora
Não resta mais nada sobre nós 
O teu cheiro saiu pela janela e não voltou
Os áudios com tua voz nem reconheço mais
Evito falar teu nome, aqui é proibido 
Se falarem por aí sobre nois, eu até choro 
Fujo , me escondo , engolo as lágrimas 
Mas a noite eu só pioro 
Deito minha cabeça implorando 
Pra que suas lembranças não passe perto 
Que eu não lembre do teu sorriso 
Dos planos que fizemos, incertos 
De cada detalhe teu 
Tolice é implorar pra te esquecer 
Como se fosse fácil 
igual apagar a luz do quarto.
Caio na real e sinto que amei sozinha 
E essa dor que você me apresentou 
Foi tão grande quanto o amor 
Que um dia me falou.  




J. Figueira

segunda-feira, 10 de novembro de 2025


Tem dias que a gente simplesmente 
não sabe o que esperar do amanhã.
Tem noites que a gente só encosta 
a cabeça no travesseiro e conversa 
baixinho com Deus.
Pede alívio pro coração dolorido 
e calmaria para os pensamentos 
que saíram do lugar.  
Tem dias que tudo que a gente 
quer é que o sol se ponha mais cedo, 
que as luzes da cidade se apaguem 
antes da hora, 
e as estrelas se acedam mais rápido.
Em dias assim a gente torce pra esbarrar 
em alguém que entenda nosso silêncio, 
e apenas nos acolham em um abraço. 
Alguém que por mais desconhecido que seja, nos presenteei com um sorriso sincero no ponto de ônibus. 
Nessas 24 horas tão longas a gente 
só pede pra Deus um pouquinho de força 
a mais pra vencer a batalha de 
uma depressão pós nada. 
Porque nesses dias nada acontece 
mas ainda sim tem algo no teu peito 
que te rouba a calmaria . 
Em dias como esses a gente só quer 
a certeza de ser amado, 
de ser a falta de alguém, 
de ganhar um carinho espontâneo , 
de receber uma visita inesperada que te faça reverter toda vontade do dia acabar.
E te faça rezar pra vida não se apressar 
E te faça demorar na alegria 
que é ser a alegria de alguém.



Figueira.

domingo, 2 de novembro de 2025

Quem seria, eu ?



Por longos anos me cobrei, 
tinha receio de não ser aquilo
que os outros esperavam de mim.
Passei anos dependente de pessoas 
da opinião delas sobre minha vida.
Até que que eu caí em si 
E pude enxergar que sou a única responsável 
pelo que sou , pelo que sinto 
e por tudo que quero ser. 
Sem medos , sem receios.
Tô longe de ser a melhor pessoa do mundo 
De ser a mais simpática , 
a mais bem humorada , 
longe de ser a perfeitinha.
Eu tenho minhas dores , 
mas escolho não mostrar e muito menos 
direcioná-las as pessoas que não 
tem nada com isso. 
Muitas vezes as recolhi , 
pra ser ombro de alguém que estivesse precisando.
Tenho meus momentos de seriedade, 
mas ainda sim consigo arrancar 
o sorriso de alguém , não sei como faço isso, 
não me pergunte. 
Tenho muita empatia pelos outros , 
tento olhar sempre por outro lado. 
Por mais que, confesso ,muitas vezes 
não tenho esse olhar pra mim mesma. 
Mas tento só fazer pros outros aquilo 
que eu queria que fizessem para mim.
E não faço esperando isso em troca , 
tudo bem se só eu tiver sido ombro.  
Tenho um jeito meio grosso , 
mas meu coração é grandemente gentil. 
Pois levo comigo a seguinte frase:
" a gente só pode oferecer aquilo que têm" 
Nunca iremos saber de verdade 
o que o outro rata sentindo , enfrentando .
Então seja gentil, acolha , só escute 
Sem julgamentos, sem apontar o dedo.
Não importa o que as pessoas são pra mim 
Importa o que eu posso ser pra elas 
O que eu posso ser pra mim
Quando não consigo sustentar, 
me recolho, fico quieta, me abraço 
Eu consigo ser o meu melhor, as vezes falha 
E se alguém enxerga isso, 
então quer dizer que tô conseguindo 
entregar meu melhor por aí . 


J. Figueira.