terça-feira, 21 de julho de 2026

Bagunça.


Vem aqui,
pode entrar e reparar a bagunça.
Pode olhar, pode notar...
A vida é isso: uma bagunça.
Mas não deixa de ser intensa,
não deixa de ser bonita,
não deixa de valer a pena,
mesmo quando desafina.
Entra e repara...
E, se mesmo assim quiser ficar,
talvez tropece em alguns erros,
em alguns defeitos,
há outros ainda em reparos.
Mas, se ainda assim escolher ficar,
vamos passar um café,
sentar sem pressa,
deixar a alma conversar.
Porque nem toda casa perfeita
é capaz de acolher.
E nem todo coração organizado
sabe amar.
O meu tem móveis fora do lugar,
cicatrizes pelas paredes,
lembranças espalhadas pelo chão
e sonhos pendurados nas redes.
Mas também tem afeto na mesa,
abraço que vira abrigo,
café sempre quentinho
e um lugar guardado contigo.
Então entra.
A bagunça é só a prova
de que aqui dentro
a vida nunca deixou de acontecer.

Figueira.



segunda-feira, 20 de julho de 2026

Laços.

Tem uma coisa bonita na vida 
que o tempo me ensinou: 
amizade não precisa ser igual 
para ser verdadeira.
Tenho amigos de tribos diferentes, 
com jeitos diferentes, gostos diferentes. 
Cada um carrega sua própria essência, 
sua forma única de enxergar o mundo 
e de demonstrar carinho. 
E talvez seja justamente isso 
que torna tudo tão especial.
Uns estão comigo há tantos anos 
que já conhecem meus silêncios. 
Outros chegaram mais recentemente, 
mas parece que a vida deu um jeito 
de encaixá-los exatamente 
onde precisavam estar.
Cada um me preenche de um jeito. 
Um me faz rir quando tudo pesa. 
Outro me escuta sem pressa. 
Tem quem me puxe de volta 
para a realidade e quem embarque 
nas minhas loucuras. 
Nenhum substitui o outro, 
porque cada amizade ocupa 
um lugar que só ela poderia ocupar.
Em um mundo onde tanta coisa 
é passageira, eu tenho a sorte de 
colecionar pessoas leais, 
presentes e verdadeiras. 
Pessoas em quem posso confiar, 
celebrar as vitórias e encontrar 
abrigo nos dias difíceis.
E, se existe um dos maiores presentes
que a vida já me deu, 
ele tem nome: amizade.
Vocês são os amores da minha vida. 
Sou grata por existirem, por permanecerem 
e por fazerem da minha caminhada 
um lugar muito mais bonito.


- Figueira.




quarta-feira, 8 de julho de 2026

Talvez um dia.


Há dias em que a saudade
aprende a falar teu nome baixinho,
como se tivesse medo de chegar até você.
E eu deixo.
Porque existem sentimentos
que não cabem em mensagens,nem ligações,
nem em reencontros imaginados.
Existem amores que precisam aprender
a existir em silêncio.
Sinto falta do jeito que tua presença
acalmava meus dias, do som da tua risada
que ainda visita minhas lembranças,
das conversas sem hora para acabar,
e até dos silêncios que só faziam sentido
porque eram contigo.
Às vezes me pego pensando se você 
também sente essa ausência discreta,
ou se fui eu quem ficou morando
onde você já conseguiu partir.
Queria te contar
que ainda existem pedaços de mim
que sorriem quando lembram de você.
Mas não conto.
Nem toda saudade 
precisa encontrar destino.
Algumas apenas repousam
no canto mais bonito do peito,
esperando um tempo que talvez nunca venha.
E, mesmo assim, há uma parte de mim
que, toda vez que o telefone acende,
deseja, por um segundo, que seja você.
Não para mudar o passado.
Só para matar essa saudade
que insiste em te amar em silêncio.
Talvez um dia
essa saudade aprenda a descansar.
Mas, enquanto isso não acontece,
ela continua fazendo de você
o verso mais bonito
que nunca tive coragem 
de ler em voz alta.


Figueira.



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Silêncio.


Não me deixem em silêncio 
é onde eu faço mais barulho 
meus pensamentos ficam ensurdecedores
minha mente não consegue me acompanhar.
Não me deixem em silêncio.
meus gritos jogados pra dentro
quase me sufocam, tampam a garganta,
descontrolados, sem ter pra onde ir.
ecoam em mim até achar uma saída,
encontrando um lugar em branco.
é ali que fazem morada: na escrita.
Não me deixem em silêncio,
capaz de esbarrar com a verdade,
e ela ser tão intensa que fará você fugir.
porque a verdade em mim
não sabe chegar devagar.
ela derruba portas,
acende memórias,
desfaz os nós que passei anos
aprendendo a esconder.
no silêncio, eu encontro
tudo aquilo que passei o dia evitando.
os medos ganham nome,
as saudades ganham rosto,
e o peito pesa como quem 
carrega o mundo inteiro.
talvez seja por isso que escrevo.
porque no papel, meus monstros
aprendem a respirar sem me devorar.
cada palavra leva um pouco do peso,
cada verso abre uma janela
onde antes só existia prisão.
e, quando enfim o silêncio volta,
já não é vazio, é apenas o som daquilo
que a escrita conseguiu salvar de mim.


Figueira.



quinta-feira, 2 de julho de 2026

ausência.


Ainda existe um lugar em mim
que aprendeu a pronunciar teu nome
sem fazer barulho.
Não porque te esqueci,
mas porque algumas saudades
crescem em silêncio,
como quem respeita o tempo
que o coração do outro precisa.
Às vezes você aparece
numa conversa qualquer,
num filme enviado sem motivo,
numa risada que atravessa a tela,
e, por um instante,
parece que a distância
esqueceu de existir.
Depois o silêncio volta.
E eu descubro que sentir falta
não é sofrer o tempo inteiro.
É carregar alguém
nos pequenos detalhes da vida.
Sinto saudade
não apenas do que fomos,
mas da leveza que existia
quando nossos dias
ainda se encontravam.
Não te espero como quem exige.
Te guardo como quem acredita
que algumas pessoas
não deixam de morar na gente
só porque o caminho mudou.
Se um dia nossos passos
voltarem a caminhar lado a lado,
espero que seja por escolha,
e não por ausência.
E, se não acontecer,
ainda assim vou agradecer
por existir um amor
capaz de me ensinar
que a saudade também sabe
ser uma forma bonita
de permanecer.


- Figueira

e(LL)a


Se Ela fosse um poema,
não seria daqueles que se 
entendem na primeira leitura.
Seria verso de entrelinhas,
silêncio que diz mais do que palavras,
vento que passa devagar
e deixa o perfume mesmo depois de partir.
Seria um riso que desafia a tristeza,
uma teimosia vestida de doçura,
o olhar de quem sente muito,
mas nem sempre permite que descubram.
Seria o sol dos dias tranquilos
e a chuva inesperada 
das tardes de inverno.
Não porque muda o tempo,
mas porque carrega nuvens 
que quase ninguém vê.
Seria dessas pessoas
que fazem morada na lembrança.
Mesmo ausente,
continuam habitando os detalhes:
uma música, uma fotografia,
um cheiro, um lugar qualquer.
Se Ela fosse um poema,
não terminaria com um ponto final.
Terminaria com reticências...
Porque algumas pessoas
não acabam.
Apenas continuam existindo
dentro da gente, de um jeito 
que nem o tempo consegue explicar.



- Figueira.