Há dias em que a saudade
aprende a falar teu nome baixinho,
como se tivesse medo de chegar até você.
E eu deixo.
Porque existem sentimentos
que não cabem em mensagens,nem ligações,
nem em reencontros imaginados.
Existem amores que precisam aprender
a existir em silêncio.
Sinto falta do jeito que tua presença
acalmava meus dias, do som da tua risada
que ainda visita minhas lembranças,
das conversas sem hora para acabar,
e até dos silêncios que só faziam sentido
porque eram contigo.
Às vezes me pego pensando se você
também sente essa ausência discreta,
ou se fui eu quem ficou morando
onde você já conseguiu partir.
Queria te contar
que ainda existem pedaços de mim
que sorriem quando lembram de você.
Mas não conto.
Nem toda saudade
precisa encontrar destino.
Algumas apenas repousam
no canto mais bonito do peito,
esperando um tempo que talvez nunca venha.
E, mesmo assim, há uma parte de mim
que, toda vez que o telefone acende,
deseja, por um segundo, que seja você.
Não para mudar o passado.
Só para matar essa saudade
que insiste em te amar em silêncio.
Talvez um dia
essa saudade aprenda a descansar.
Mas, enquanto isso não acontece,
ela continua fazendo de você
o verso mais bonito
que nunca tive coragem
de ler em voz alta.
Figueira.