Não me deixem em silêncio
é onde eu faço mais barulho
meus pensamentos ficam ensurdecedores
minha mente não consegue me acompanhar.
Não me deixem em silêncio.
meus gritos jogados pra dentro
quase me sufocam, tampam a garganta,
descontrolados, sem ter pra onde ir.
ecoam em mim até achar uma saída,
encontrando um lugar em branco.
é ali que fazem morada: na escrita.
Não me deixem em silêncio,
capaz de esbarrar com a verdade,
e ela ser tão intensa que fará você fugir.
porque a verdade em mim
não sabe chegar devagar.
ela derruba portas,
acende memórias,
desfaz os nós que passei anos
aprendendo a esconder.
no silêncio, eu encontro
tudo aquilo que passei o dia evitando.
os medos ganham nome,
as saudades ganham rosto,
e o peito pesa como quem
carrega o mundo inteiro.
talvez seja por isso que escrevo.
porque no papel, meus monstros
aprendem a respirar sem me devorar.
cada palavra leva um pouco do peso,
cada verso abre uma janela
onde antes só existia prisão.
e, quando enfim o silêncio volta,
já não é vazio, é apenas o som daquilo
que a escrita conseguiu salvar de mim.
Figueira.
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