quinta-feira, 2 de julho de 2026

ausência.


Ainda existe um lugar em mim
que aprendeu a pronunciar teu nome
sem fazer barulho.
Não porque te esqueci,
mas porque algumas saudades
crescem em silêncio,
como quem respeita o tempo
que o coração do outro precisa.
Às vezes você aparece
numa conversa qualquer,
num filme enviado sem motivo,
numa risada que atravessa a tela,
e, por um instante,
parece que a distância
esqueceu de existir.
Depois o silêncio volta.
E eu descubro que sentir falta
não é sofrer o tempo inteiro.
É carregar alguém
nos pequenos detalhes da vida.
Sinto saudade
não apenas do que fomos,
mas da leveza que existia
quando nossos dias
ainda se encontravam.
Não te espero como quem exige.
Te guardo como quem acredita
que algumas pessoas
não deixam de morar na gente
só porque o caminho mudou.
Se um dia nossos passos
voltarem a caminhar lado a lado,
espero que seja por escolha,
e não por ausência.
E, se não acontecer,
ainda assim vou agradecer
por existir um amor
capaz de me ensinar
que a saudade também sabe
ser uma forma bonita
de permanecer.


- Figueira

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