quarta-feira, 8 de julho de 2026

Talvez um dia.


Há dias em que a saudade
aprende a falar teu nome baixinho,
como se tivesse medo de chegar até você.
E eu deixo.
Porque existem sentimentos
que não cabem em mensagens,nem ligações,
nem em reencontros imaginados.
Existem amores que precisam aprender
a existir em silêncio.
Sinto falta do jeito que tua presença
acalmava meus dias, do som da tua risada
que ainda visita minhas lembranças,
das conversas sem hora para acabar,
e até dos silêncios que só faziam sentido
porque eram contigo.
Às vezes me pego pensando se você 
também sente essa ausência discreta,
ou se fui eu quem ficou morando
onde você já conseguiu partir.
Queria te contar
que ainda existem pedaços de mim
que sorriem quando lembram de você.
Mas não conto.
Nem toda saudade 
precisa encontrar destino.
Algumas apenas repousam
no canto mais bonito do peito,
esperando um tempo que talvez nunca venha.
E, mesmo assim, há uma parte de mim
que, toda vez que o telefone acende,
deseja, por um segundo, que seja você.
Não para mudar o passado.
Só para matar essa saudade
que insiste em te amar em silêncio.
Talvez um dia
essa saudade aprenda a descansar.
Mas, enquanto isso não acontece,
ela continua fazendo de você
o verso mais bonito
que nunca tive coragem 
de ler em voz alta.


Figueira.



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Silêncio.


Não me deixem em silêncio 
é onde eu faço mais barulho 
meus pensamentos ficam ensurdecedores
minha mente não consegue me acompanhar.
Não me deixem em silêncio.
meus gritos jogados pra dentro
quase me sufocam, tampam a garganta,
descontrolados, sem ter pra onde ir.
ecoam em mim até achar uma saída,
encontrando um lugar em branco.
é ali que fazem morada: na escrita.
Não me deixem em silêncio,
capaz de esbarrar com a verdade,
e ela ser tão intensa que fará você fugir.
porque a verdade em mim
não sabe chegar devagar.
ela derruba portas,
acende memórias,
desfaz os nós que passei anos
aprendendo a esconder.
no silêncio, eu encontro
tudo aquilo que passei o dia evitando.
os medos ganham nome,
as saudades ganham rosto,
e o peito pesa como quem 
carrega o mundo inteiro.
talvez seja por isso que escrevo.
porque no papel, meus monstros
aprendem a respirar sem me devorar.
cada palavra leva um pouco do peso,
cada verso abre uma janela
onde antes só existia prisão.
e, quando enfim o silêncio volta,
já não é vazio, é apenas o som daquilo
que a escrita conseguiu salvar de mim.


Figueira.



quinta-feira, 2 de julho de 2026

ausência.


Ainda existe um lugar em mim
que aprendeu a pronunciar teu nome
sem fazer barulho.
Não porque te esqueci,
mas porque algumas saudades
crescem em silêncio,
como quem respeita o tempo
que o coração do outro precisa.
Às vezes você aparece
numa conversa qualquer,
num filme enviado sem motivo,
numa risada que atravessa a tela,
e, por um instante,
parece que a distância
esqueceu de existir.
Depois o silêncio volta.
E eu descubro que sentir falta
não é sofrer o tempo inteiro.
É carregar alguém
nos pequenos detalhes da vida.
Sinto saudade
não apenas do que fomos,
mas da leveza que existia
quando nossos dias
ainda se encontravam.
Não te espero como quem exige.
Te guardo como quem acredita
que algumas pessoas
não deixam de morar na gente
só porque o caminho mudou.
Se um dia nossos passos
voltarem a caminhar lado a lado,
espero que seja por escolha,
e não por ausência.
E, se não acontecer,
ainda assim vou agradecer
por existir um amor
capaz de me ensinar
que a saudade também sabe
ser uma forma bonita
de permanecer.


- Figueira

e(LL)a


Se Ela fosse um poema,
não seria daqueles que se 
entendem na primeira leitura.
Seria verso de entrelinhas,
silêncio que diz mais do que palavras,
vento que passa devagar
e deixa o perfume mesmo depois de partir.
Seria um riso que desafia a tristeza,
uma teimosia vestida de doçura,
o olhar de quem sente muito,
mas nem sempre permite que descubram.
Seria o sol dos dias tranquilos
e a chuva inesperada 
das tardes de inverno.
Não porque muda o tempo,
mas porque carrega nuvens 
que quase ninguém vê.
Seria dessas pessoas
que fazem morada na lembrança.
Mesmo ausente,
continuam habitando os detalhes:
uma música, uma fotografia,
um cheiro, um lugar qualquer.
Se Ela fosse um poema,
não terminaria com um ponto final.
Terminaria com reticências...
Porque algumas pessoas
não acabam.
Apenas continuam existindo
dentro da gente, de um jeito 
que nem o tempo consegue explicar.



- Figueira.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Se acolher


Nem todo teto é abrigo,
alguns são peito, refúgio
onde a alma encontra seu leito.
Me despi das incertezas
para enxergar em mim
os sentimentos que me vestiam.
Acolhi cada afeto recebido,
na esperança de que não
tocasse apenas a pele,
mas alcançasse os lugares
mais profundos de mim.
Deixei que cada gesto me atravessasse,
como a chuva atravessa a terra seca,
fazendo nascer o que estava adormecido.
Não me poupei das marcas,
nem tentei fugir do que sentia,
de nenhuma emoção,
pois a intensidade embarca
sem pedir autorização.
Não chega devagar,
não pede licença,
não sabe morar na superfície.
Ela invade, faz morada
nos cantos mais escondidos,
revira o que encontra
e transforma o que toca.
Também faz nascer flores
onde antes era vazio,
transforma a dor em verso
e o silêncio em arrepio.
E, mesmo sabendo
que talvez eu não saísse inteiro,
escolhi sentir.
Porque há afetos que machucam,
mas também sabem curar;
há encontros que educam
e nos ensinam a amar.
Existem laços passageiros
que não vieram permanecer,
mas deixam rastros verdadeiros
que jamais irão morrer.
Nos apresentam novos caminhos,
uma versão desconhecida da vida,
e, entre espinhos e carinhos,
dão outro sentido à vida.
Sentimentos que valem a queda,
mesmo quando há cicatriz,
pois quem mergulha sem medida
descobre dentro de si a raiz.
Talvez seja isso que nos transforma:
a coragem de sentir tudo o que se diz,
mesmo quando não há garantia.
E, no fim dessa travessia,
entre a dor e o coração,
percebi que a intensidade
também é forma de salvação.

— Figueira




você é meu poema.

Meu poema preferido
é quando leio teu olhar
Calo o barulho da minha
mente e do mundo
Com a música do teu sorriso
Teu riso dança leve
feito sol beijando o mar
E em cada gesto teu
meu peito aprende a ficar
Te encontro nos detalhes
no silêncio e no caos
Como quem acha abrigo
depois de tantos temporais
E quando tua voz me chama
mesmo baixinho, sem querer
meu coração desafina
só pra tentar te entender
Tu és verso que acontece
sem eu precisar escrever
Daqueles que a alma sente
antes mesmo de ler.
Que insiste em florescer
Como se a vida escrevesse
poesia em te ver.


Figueira.



segunda-feira, 25 de maio de 2026

O novo.


A chuva sempre passará.
Mesmo quando parecer interminável.
Quando o céu estiver pesado.
E o coração cansado de esperar.
Sempre haverá um novo amanhecer.
E uma nova oportunidade de seguir.
De juntar os pedaços que se espalharam.
De curar feridas que insistiam em doer.
Novos caminhos sempre aparecerão.
E novas pessoas também.
Haverá dias de silêncio.
E dias cheios de canções.
Haverá despedidas inevitáveis.
E reencontros inesperados.
Às vezes você vai cair.
Em outras, vai voar.
Mas nunca deixará de crescer.
Porque a vida tem esse jeito bonito:
de transformar cicatrizes em força,
e a dor de hoje em sabedoria amanhã.



Figueira.