sexta-feira, 15 de maio de 2026

C.D

Você é tipo aquela música de Sandy 
melancólica, calma , suave 
e que faz moradia dentro de mim 
Que eu não me canso de ouvir. 
Você é aquela saudade constante 
Que não dá tempo de ficar distante 
Porque está presente no meu pensamento 
Circulando a todo momento, todo instante 
Você é como aquela brisa de fim de tarde 
O pôr do sol mais bonito 
Tingindo o céu com cores 
Você é aquele gole de café 
que acelera os sentindo 
e agita minha mente .
És como os poemas de Lispector
Intensos, profundos, cheios de vida
Daqueles que a gente lê em silêncio
E sente a alma ser compreendida
És um universo dentro do peito
O verso que escrevo antes de dormir 
Você é a parte boa de um dia caótico 
O motivo bonito pra sorrir 
Amo essa sensação boa 
que causa em mim.
E quanto mais tento te escrever
Mais me perco sem perceber
Porque nenhum poema consegue conter
a imensidão que existe em você.
Nem todas as rimas que eu escolher
Conseguem teu infinito descrever.


Figueira.



terça-feira, 5 de maio de 2026

A carta.


Querido coração, 
por tanto tempo ausente,
tardei em te escrever, 
falhei comigo e com a gente.
Por um momento ou outro 
finjo te esquecer, 
mas no silêncio da alma 
só sei te ouvir bater.
Querido coração, 
me faça um favor: não abra 
tua porta por impulso ou por dor.
Não convide qualquer um 
pra habitar teu chão,
escolhe com cuidado 
quem toca tua mão.
Não temas as noites frias que virão,
elas também ensinam e moldam a razão.
Mas nunca negue o que há em você, 
pois calar sentimento também é se perder.
Nunca reprima
o que em silêncio te domina,
pois no final, quando tudo termina,
quem chora sou eu… 
e você também, na mesma sina.
Me tenha como amiga, 
vem confiar em mim,
se andarmos juntos 
não será sempre assim.
E mesmo que a dor tente nos dividir,
de mãos dadas, quem sabe, 
a gente aprende a não se ferir.


Figueira


Me revelo, poesia.


Em caminhos tortos que ando seguindo,
tropecei — e justo com ela: a poesia.
O joelho ralou, o coração quase parou;
Faz tempo que de ti me escondia.
Ela me estendeu as mãos
e soltou um sorriso de lado.
E, na caminhada, comigo quis seguir.
Desabafei, até chorei, não consegui segurar.
Ela soube, em silêncio, escutar
Me olhou com uma doçura
e me acalentou com versos lindos.
E, por alguns instantes, lembrei
que ela era a única que me entendia.
Me fez lembrar que, com ela,
minha dor se esvaía
e retirava minha armadura fria.
Me contou que, por mais que negasse,
jamais conseguiria esconder
aquilo que, sem esforço, meus olhos refletiam.
Sussurrou em meus ouvidos 
Que meu sangue era como a tinta que corria,
minha alma a caneta que me guia,
e minha voz transbordava poesia.
E que há muito tempo eu tentava esconder,
mas que insistia em mim florescer.
E ali, entre lágrimas e versos, pude entender:
não era dela que eu tentava correr,
era de mim que eu temia me ver.
Então segurei sua mão sem hesitar,
deixei a armadura no mesmo lugar
e, mesmo em caminhos difíceis de andar,
decidi com ela sempre ficar —
pois é na poesia que aprendo a me encontrar.


Figueira.




quinta-feira, 16 de abril de 2026

queria falar de você.


Sabe , tem um menina que eu sigo na internet 
Eu acho ela caótica , mas escreve coisas que me
tocam , e algumas vezes acho que muitas coisas
que ela fala, eu facilmente teria escrito. 
Queria ter coragem de dá minha cara a tapa 
E falar tudo que sinto de um jeito torto ,
embaraçoso, não só doloroso. 
Queria contar histórias, falar de amor , 
Falar da vida , de dores , desamores ,
talvez até de felicidade , 
ah quem duvide que eu saiba 
falar sobre isso ( autocrítica 
Queria falar de você... 
Ah como eu queria falar de você.
Uma vez me mandou um vídeo dela 
achei fofo, e me disse que eu devia fazer vídeos 
Porque escrevia tão bem quanto ela 
Pensei, que loucura !
Eu não teria tanta coragem assim
Como iria falar do meu sentir ? 
Me deixar vulnerável , nua e crua 
pra quem quisesse me assitir. 
Que loucura !
Mas ainda sim , queria falar de você 
Ah como eu queria falar de você...
Mas eu teria que explicar o porquê a cor dos teus olhos são meus preferidos . 
Teria que explicar que tua voz é como um canto que me encanta e eu passaria horas ouvindo qualquer áudio seu , seja falando do teu dia , ou do teu gato.
Como eu ia explicar que o teu cuidado 
me acalma por dentro, me desacelera  
Queria gritar de tanta saudade que sinto 
E mostrar em cada linha que escrevo, 
minha raiva por não te ter por perto.  
Mas quem disse que você me quer por perto ?
 Sei lá , eu sei que não.  Mas em algum lugar da minha cabeça , espaçosa , bagunçada , intensa 
eu ache que você me queira como eu te quero. 
Mas as vezes a ficha cai , e eu caio em si
Que você nunca me quis. 
Tá tudo bem 
 mas eu não tô aqui pra rimar , 
escrever versos , poemas, nem me declarar .
Talvez eu só tenha enrolado tanto , 
porque eu só queria falar de você. 
Talvez assim você entendesse meu gostar . 

Figueira.  


segunda-feira, 30 de março de 2026

avesso


Me viro do avesso tentando 
diminuir minhas imperfeições 
Carrego nas palavras 
aquilo que não me cabe , 
mas encontra dentro em mim 
um lugar seguro para transbordar
Minha sensibilidade me faz inteira 
mas sem ser exposta é mais seguro. 
Escondo minhas cicatrizes e remendos
enfeitadas , quem sabe, com flores.  
Carrego gentileza no que faço 
Visto a alma com variadas emoções . 
Meus olhos reflete a poesia, a bagunça 
e meu jeito torto de enxergar a vida 
No meu coração, 
deixo aquém me importo pousar.  
Em cada passo a liberdade 
e a coragem de ser o que sou. 


Figueira.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

sem pressa.


Gosto de demorar 
meu olhar em ti 
De olhar tua foto, 
e sair um sorriso dali 
Gosto de não ter pressa 
De degustar devagar 
cada micro detalhe 
que você não faz ideia 
Mas é onde meus olhos 
escolhem descansar. 



Figueira.  

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

nós.


Declamo teu corpo 
Leio teus olhos 
Te beijo o pescoço 
E sinto todo seu arrepio 
Me puxas como um imã 
Me prendendo nos teus lábios 
Nossos beijos em órbita 
Sinto em minhas mãos 
teus cabelos negros 
Seu cheiro me envolve, me prende 
Me invade , me transpassa
Faz perder a noção do tempo 
Numa troca só nossa. 




Figueira.