terça-feira, 5 de maio de 2026

Me revelo, poesia.


Em caminhos tortos que ando seguindo,
tropecei — e justo com ela: a poesia.
O joelho ralou, o coração quase parou;
Faz tempo que de ti me escondia.
Ela me estendeu as mãos
e soltou um sorriso de lado.
E, na caminhada, comigo quis seguir.
Desabafei, até chorei, não consegui segurar.
Ela soube, em silêncio, escutar
Me olhou com uma doçura
e me acalentou com versos lindos.
E, por alguns instantes, lembrei
que ela era a única que me entendia.
Me fez lembrar que, com ela,
minha dor se esvaía
e retirava minha armadura fria.
Me contou que, por mais que negasse,
jamais conseguiria esconder
aquilo que, sem esforço, meus olhos refletiam.
Sussurrou em meus ouvidos 
Que meu sangue era como a tinta que corria,
minha alma a caneta que me guia,
e minha voz transbordava poesia.
E que há muito tempo eu tentava esconder,
mas que insistia em mim florescer.
E ali, entre lágrimas e versos, pude entender:
não era dela que eu tentava correr,
era de mim que eu temia me ver.
Então segurei sua mão sem hesitar,
deixei a armadura no mesmo lugar
e, mesmo em caminhos difíceis de andar,
decidi com ela sempre ficar —
pois é na poesia que aprendo a me encontrar.


Figueira.




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