terça-feira, 5 de maio de 2026

A carta.


Querido coração, 
por tanto tempo ausente,
tardei em te escrever, 
falhei comigo e com a gente.
Por um momento ou outro 
finjo te esquecer, 
mas no silêncio da alma 
só sei te ouvir bater.
Querido coração, 
me faça um favor: não abra 
tua porta por impulso ou por dor.
Não convide qualquer um 
pra habitar teu chão,
escolhe com cuidado 
quem toca tua mão.
Não temas as noites frias que virão,
elas também ensinam e moldam a razão.
Mas nunca negue o que há em você, 
pois calar sentimento também é se perder.
Nunca reprima
o que em silêncio te domina,
pois no final, quando tudo termina,
quem chora sou eu… 
e você também, na mesma sina.
Me tenha como amiga, 
vem confiar em mim,
se andarmos juntos 
não será sempre assim.
E mesmo que a dor tente nos dividir,
de mãos dadas, quem sabe, 
a gente aprende a não se ferir.


Figueira


Nenhum comentário:

Postar um comentário