As páginas em branco , pra mim ,
sempre foram como uma psicóloga
esperando meu desabafo.
Esperando que ali eu conseguisse
derramar todo meu sentir .
A cada palavra cuspida,
parecia que rasgava o peito.
Ali eu conseguia me deixar nua
Deixava minha transparência prevalecer
Confiei meu íntimo em cada linha
Borrei algumas com minhas lágrimas
Não tinha outro jeito ,
a intensidade que finjo não sentir,
desagua pelas bordas.
No meu canto, a verdade grita
minhas imperfeições me acolhem
Os pedaços se juntam, e ali sou inteira.
Eu, tão a flor da pele
Como posso deixar qualquer um
ter acesso a isso ?!
As pessoas são rasas,
e a cada tentativa de mergulho
Um traumatismo.
Ninguém vai entender minhas escolhas
Escolhi ser leveza,
por mais caos que eu carregue.
Escolhi ser luz,
mas sem esconder minhas sombras .
A paz , o silêncio que hoje me protege
Me fez aprender a dançar no som da calma.
Não vão saber explicar pelo que minh'alma vibra ,
o universo se encarregará
de cruzar meu caminho com quem
esteja na mesma frequência .
Porque o que tiver que ser vai florescer.
As folhas seguem firmes
Esperando por cada volta
por cada sessão de terapia
E implorando para que cada vinda
seja menos dolorosa.
J. Figueira.